
Título Original: Sedmikrasky
Formato: AVI
Idioma: Tcheco
Legenda: Português
Duração: 74 minutos
Tamanho: 700MB
Servidor: Megaupload
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Senha para descompactar: http://farra.clickforuns.net
Direção: Vera Chytilová
Elenco:
Jitka Cerhová
Ivana Karbanová
Julius Albert
Comentário: Anarquismo feminista e cores berrantes. Inexistem espaço e tempo na fábula psicodélica da diretora tcheca Vera Chytilová, que mesmo esquecida, foi referência para nomes de Kubrick a Ferreri. Parte da extinta Cortina de Ferro, a Tchecoslováquia dificilmente veria sua excelente produção cinematográfica exposta à avaliação Ocidental, como bem faria jus esta legítima expressão de vanguarda assinada por Vera Chytlová em 1966. Com o beneplácito dos pouquíssimos privilegiados que puderam assistir a As Pequenas Margaridas (Sedmikrasky) por meio dos cineclubes, o filme acabou inspirando até à detestável geração de produtores de videoclipes para a MTV norte-americana. O detalhe é que na época da filmagem, artifícios como colorização de fotogramas, sincronismo perfeito de cenas e uso de trilha-sonora concretista, sequer sonhavam com o advento do computador. Por esse detalhe, Daisies ainda intriga aos pesquisadores de Cinema, impressionados com sua técnica transgressora, tanto em narrativa (?) como nos recursos cenográficos utilizados. Chytilová trabalha sobre uma metáfora feminista centrada em duas entidades anarquistas interpretadas pelas excelentes Marie Cesková e Jitka Cerhová. O filme transcorre numa seqüência absurda de sketches interligados por elipses provocadas pelos próprios personagens, todas a partir de atos propositalmente banais (a queda de um candelabro, o esvoaçar de uma coroa de flores). Os diálogos, por sua vez, destilam um tipo de ironia difícil de ser suportada pela mentalidade da mulher como “caça” do macho. Chytilová inverte os papéis e faz com que Marie I e Marie II enfileirem uma seqüência de vítimas atoleimadas, conduzidas a almoços e jantares nababescos. Quase todos terminam em patética despedida na estação de trem de Praga. Homens, por sinal, são tratados com total desprezo pelas duas jovens, uma loura, outra do tipo eslavo, numa série de situações que beiram a escatologia.
A insistência das citações gastronômicas exploradas à exaustão, remetem à apologia do excesso anarquista, pressuposto sublimado magnificamente numa das últimas seqüências, quando ambas as Maries chegam antes dos convidados a um pantagruélico banquete, onde protagonizam aquele que pode ser considerado um dos mais virulentos ataques ao duvidoso binômio “moral e bons-costumes”. Admiravelmente bem conduzida, a sonoplastia funciona no papel de complemento às gags tratadas com rigor plástico baseado em ampla signagem cromática: quando conversam, Marie II e Marie I motivam a acelaração do ritmo da montagem, sempre num crescendo emotivo de conseqüências imprevisíveis; outras vezes, a relação tempo-espaço -absolutamente caótica- fica presa por um fio ao capricho narrativo do texto, porém sem que se comprometa o discurso pretendido pela realizadora. Sedmikrasky, transgressor e visionário como fora concebido, chegou ao status de “cult”, merecendo modesta edição em DVD pela independente Facets Video depois de anos no underground. Muito superior às patuscadas de Richard Lester e a meio mundo “freak” tido como genial à mesma época do seu lançamento. Atenção! Incomodado pelo desperdício de comida nas seqüências onde Marie I e Marie II se refestelam, o Governo da antiga Tchecoslováquia impôs sérias perseguição à fita (Fonte: http://fatorh.blogspot.com/2006/05/as-pequenas-margaridas-1966.html).
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